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O que acontece com seu cérebro quando você apaga bêbado?

Imagine você acordando em uma cama ou um sofá de um lugar totalmente desconhecido com aquele gosto de “cabo de guarda-chuva”, uma dor de cabeça fenomenal e nenhuma lembrança da noite anterior, parecendo uma cena de “Se Beber Não Case”. Você já passou por isso ou conhece alguém que tem uma história de bêbado parecida […]

O que acontece com seu cérebro quando você apaga bêbado?

Imagine você acordando em uma cama ou um sofá de um lugar totalmente desconhecido com aquele gosto de “cabo de guarda-chuva”, uma dor de cabeça fenomenal e nenhuma lembrança da noite anterior, parecendo uma cena de “Se Beber Não Case”. Você já passou por isso ou conhece alguém que tem uma história de bêbado parecida com essa?

Pois a amnésia depois de ter bebido exageradamente é algo que acontece com frequência com muitas pessoas e pode ser muito perigoso, em diversos aspectos, você sabe. Mas você tem conhecimento de por que e como exatamente esse apagão acontece em seu cérebro?

O que o álcool faz com o meu cérebro?


Fonte da imagem: Shutterstock

Primeiro é preciso saber que nem todos os apagões são iguais. Existem dois tipos deles: o “em bloco” e o “fragmentado”, segundo um estudo do National Institute of Alcohol Abuse and Alcoholism. Como seus nomes sugerem, os apagões fragmentados fazem com que o beberrão não se lembre de momentos em pequenos períodos de tempo, enquanto os apagões em bloco referem-se a períodos maiores.

As pessoas que sofrem apagões fragmentados, por vezes referidos como “blecautes”, geralmente podem recordar de acontecimentos esquecidos. São como aqueles flashes de acontecimentos da noite passada que você lembra quando a ressaca já está passando. Quem nunca?


Fonte da imagem: Shutterstock

Já quem tem os blecautes em bloco não têm tanta sorte, pois, nesse caso, a amnésia é praticamente total. Nesse último caso, a pessoa só vai ficar sabendo do que aconteceu na noite anterior de bebedeira quando os amigos contarem alguma coisa ou quando o indivíduo assistir a um vídeo seu da festa em situações provavelmente constrangedoras.

Processos

Entretanto, os cientistas afirmam que ambos os tipos de apagões são causados pela mesma coisa: um fenômeno neurofisiológico que acontece devido a um rompimento químico no hipocampo do cérebro, que é uma região essencial para a formação da memória.

Por essa razão, o álcool interfere nos receptores no hipocampo que transmitem o glutamato, um composto que transporta sinais entre os neurônios. Durante esta interferência, o álcool impede que alguns receptores trabalhem, enquanto ativa outros.


Fonte da imagem: Shutterstock

Este processo faz com que os neurônios criem esteroides que, em seguida, evitam que os neurônios se comuniquem uns com os outros corretamente, prejudicando, assim, a chamada potenciação de longa duração (long-term potentiation – LTP), um processo necessário para o aprendizado e para a memória.

Em termos mais simples, o efeito é semelhante à amnésia anterógrada, em que o cérebro perde temporariamente a capacidade de criar novas memórias. E, claro, isso pode causar sérias consequências.

As pessoas que sofrem esses blecautes totais tendem a apresentar um alto nível de intoxicação, durante o qual elas não mantêm seu melhor julgamento, aumentando o risco de um comportamento perigoso, como ter relações sexuais desprotegidas ou dirigir um carro.

Apagões podem ser evitados?

Você deve estar cansado de saber que é necessário se alimentar antes de beber ou durante. O estômago vazio é uma das piores armadilhas para cair na bebedeira da amnésia. Portanto, estar com a barriguinha mais cheia ajuda. Não comer fará com que seu nível de álcool no sangue se eleve mais rapidamente, mas só isso não resolve.

Beber em menor quantidade e mais devagar também é importante. Além disso, alternar os drinks com água pura também pode ajudar bastante para evitar a desidratação que o álcool causa.


Fonte da imagem: Shutterstock

Pesquisas mostram que o principal culpado de um apagão é um pico rápido e forte no conteúdo de álcool no sangue. As mulheres podem ter mais dificuldade em evitar os apagões, pois seus aumentos no conteúdo de álcool no sangue acontecem mais rapidamente do que nos homens.

Não só elas tendem a ter menos água em seus corpos para dispersar o álcool, como também têm menos deidrogenase gástrica, uma enzima que decompõe o álcool.

Também parece haver uma tendência de as pessoas tentarem reverter o estado “pré-apagão” quando começam a perceber que a coisa está ficando feia. Nesse momento, é melhor trocar a bebida por muita água ou até algo açucarado para não apagar. Porém, o melhor caminho ainda para evitar essas situações é simplesmente não beber ou se limitar a uma taça de vinho ou poucos copos de cerveja.

Elisa Vieira