Conhecimento Geral
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O cemitério mais “alegre” de todos

Na maioria das vezes, o cemitério é um local bem macabro, obscuro, com cores sombrias e flores mortas, não transmitindo nenhum tipo de felicidade no ambiente. Contudo, muitas pessoas que vão à Europa podem dizer o contrário. Mas como? Calma, eles não são suicidas em grupo nem loucos que fugiram de um manicômio, apenas foram […]

O cemitério mais “alegre” de todos

Na maioria das vezes, o cemitério é um local bem macabro, obscuro, com cores sombrias e flores mortas, não transmitindo nenhum tipo de felicidade no ambiente. Contudo, muitas pessoas que vão à Europa podem dizer o contrário. Mas como? Calma, eles não são suicidas em grupo nem loucos que fugiram de um manicômio, apenas foram a um cemitério muito bizarro no continente europeu.

Localizado em Sapanta — na Romênia, próximo da fronteira com a Ucrânia —, o Cimitirului Vesel é um dos lugares mais originais e inusitados que existem no globo. Repleto de cores vivas, o “cemitério feliz” conta — através de imagens esculpidas em madeira nas lápides — uma breve história de vida dos que ali foram enterrados. De acordo com Christine Popp, do New York Times, todos os membros da comunidade são mantidos vivos por meio das pinturas e dos epitáfios.

RazvanpascuFonte: Razvanpascu

As imagens retratam como era a vida cotidiana de seus protagonistas: um homem no trator, uma mulher tecelã, um médico em seu consultório etc. Muitas delas também mostram como a pessoa morreu — bizarro, não? — e possuem inscrições nas lápides com inspiradoras frases poéticas em cada representação — algumas têm até cinco metros de altura. Além do tom “festa junina” por causa das cores, também é possível perceber a evolução dos meios de transporte ao longo do tempo através das figuras: montarias, charretes, carros etc.

Essa ideia mirabolante começou com um cara chamado Stan Ioan Patras, que talhou a primeira lápide em 1935. Ao longo de sua vida, ele chegou a fazer mais de 800 peças, mas veio a falecer no ano de 1977. Com isso, a responsabilidade foi parar no colo de um dos seus alunos, Dumitru Pop, que continua a tradição até hoje.

Os moradores da aldeia participam da pintura, escolhendo as cores a serem utilizadas. Cada cor possui um significado diferente: o fundo azul brilhante com a palavra “sapanta bleu” significa esperança e liberdade; a amarela representa a fertilidade; a cor verde está relacionada à vida; a vermelha traduz a paixão e, por fim, a preta indica uma morte prematura ou inesperada (acidente, assassinato etc.).

Captivatingromania

Além disso, as cores usadas nas figuras também contam um pouco da história de vida dos falecidos. Uma lápide com mais vermelho mostra que a pessoa tinha paixão pela vida, já muito amarelo indica que o indivíduo deixou vários descendentes.

Entender o porquê dessa dedicação com a morte de seus moradores é fácil: reza a lenda que os romenos nunca tiveram medo da morte e não a encaram como um momento triste, mas sim como uma passagem para um mundo melhor — pensamento muito comum nas religiões do Oriente, principalmente em relação ao Budismo.

A vila apresenta cerca de 10 mortes por ano e atualmente possui um museu a céu aberto, também. Por ser um dos lugares favoritos dos turistas que vão à Europa, a pequena cidade de Sapanta tem o turismo como uma de suas principais fontes de renda. Atualmente, entre os monumentos funerários mais visitados da Europa, esse local bizarro na Romênia ocupa o primeiro lugar e o segundo do mundo, perdendo apenas para o eterno e misterioso Vale dos Reis, no Egito.

Elisa Vieira